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A arrogância da interpretação a posterioriA história não se 1787

A arrogância da interpretação a posterioriA história não se repete, mas rima.Mark TwainA história repete-se; essa é uma das coisas erradas da história.Clarence DarrowA

história tem sido definida como uma coisa depois da outra. Essa ideia

pode ser considerada um alerta contra duas tentações, mas eu,

devidamente alertado, flertarei cautelosamente com ambas. Primeiro, o

historiador é tentado a vasculhar o passado à procura de padrões que se

repetem; ou, pelo menos, como diria Mark Twain, ele tende a buscar razão

e rima em tudo. Esse apetite por padrões afronta quem acha que a

história não vai a lugar nenhum e não segue regras - "a história costuma

ser um negócio aleatório, confuso", como também disse o próprio Mark

Twain. A segunda tentação do historiador é a soberba do presente: achar

que o passado teve por objetivo o tempo atual, como se os personagens do

enredo da história não tivessem nada melhor a fazer da vida do que

prenunciar-nos.Sob nomes que não vêm ao caso para nós, essas são

questões atualíssimas na história humana, e surgem mais fortes e

polêmicas na escala temporal mais longa da evolução. A história

evolutiva pode ser representada como uma espécie depois da outra. Mas

muitos biólogos hão de concordar comigo que se trata de uma ideia

tacanha. Quem olha a evolução dessa perspectiva deixa passar a maior

parte do que é importante. A evolução rima, padrões se repetem. E não

simplesmente por acaso. Isso ocorre por razões bem compreendidas,

sobretudo razões darwinianas, pois a biologia, ao contrário da evolução

humana ou mesmo da física, já tem a sua grande teoria unificada, aceita

por todos os profissionais bem informados no ramo, embora em várias

versões e interpretações. Ao escrever a história evolutiva, não me

esquivo a buscar padrões e princípios, mas procuro fazê-lo com cautela.E

quanto à segunda tentação, a presunção da interpretação a posteriori, a

ideia de que o passado atua para produzir nosso presente específico? O

falecido Stephen Jay Gould salientou, com acerto, que um ícone dominante

da evolução na mitologia popular, uma caricatura quase tão ubíqua

quanto a de lemingues atirando-se ao penhasco (aliás, outro mito falso),

é a de uma fila de ancestrais simiescos a andar desajeitadamente,

ascendendo na esteira da majestosa figura que os encabeça num andar

ereto e vigoroso: o Homo sapiens sapiens - o homem como a última palavra

da evolução (e nesse contexto é sempre um homem, e não uma mulher), o

homem como o alvo de todo o empreendimento, o homem como um magneto,

atraindo a evolução do passado em direção à proeminência.Obs. lemingues: designação comum a diversos pequenos roedores.(Richard Dawkins, com a colaboração de Yan Wong, A grande história da evolução: Na trilha dos nossos ancestrais. Trad. Laura Teixeira Motta. São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p. 17-18)Considere o segundo parágrafo e as afirmações que seguem.I. Na frase Sob nomes que não vêm ao caso para nós, o autor exprime opção pelo silêncio, mas sinaliza ter conhecimento acerca do que silencia.II. No parágrafo, o autor realiza um afunilamento do assunto "história", com que, no primeiro parágrafo, iniciou sua exposição.III. O emprego do pronome nós é recurso para promover aproximação mais estreita com o leitor, tornando o discurso mais íntimo.IV. Em A história evolutiva pode ser representada como uma espécie depois da outra, o autor explicita que a ideia de sucessão é inerente à evolução dos seres vivos e exclusiva dela.O texto abona a correção do que se afirma APENAS em

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